JUIZ DE FORA (MG) – Em mais um passo decisivo de sua estratégia de internacionalização, o Instituto Economia Criativa Brasil-China (IECBC) e a Prefeitura de Juiz de Fora realizaram, no dia 1º de junho, o Fórum Brasil-China Nova Era — Edição Juiz de Fora. O encontro reuniu mais de 300 representantes do poder público, do setor produtivo, da academia e de empresas brasileiras e chinesas, transformando a cidade, por um dia, na capital do diálogo sino-brasileiro no interior do país.

Realizado com o apoio institucional do Consulado-Geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (ACEJF) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Fórum integrou a programação oficial dos 176 anos do município. A escolha da cidade carrega um simbolismo estratégico: situada no entroncamento entre Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, Juiz de Fora afirma-se como um dos principais polos industriais e logísticos de Minas Gerais e um nó decisivo de transporte do Sudeste brasileiro.

**Pontes de cooperação para setores estratégicos**

Ao conduzir a abertura, a presidente do IECBC, Cláudia Jannuzzi, sublinhou que o propósito do Fórum é erguer pontes de cooperação voltadas a setores de alto valor agregado. Ela destacou a forte complementaridade entre as duas economias e o amplo espaço de colaboração em transição energética, recursos minerais, modernização agrícola e segurança alimentar — áreas em que governos locais, empresas e instituições de pesquisa podem desenvolver projetos com efeito demonstrativo.

A prefeita Margarida Salomão classificou a realização do encontro como uma oportunidade extraordinária para a cidade e para o desenvolvimento integrado do Sudeste mineiro. Para ela, o Fórum representa mais uma etapa do processo de aproximação iniciado na missão institucional realizada à China em 2025, e o desafio, agora, é converter o diálogo em benefícios concretos para a população.

**Quatro frentes propostas pelo Consulado chinês**

O cônsul comercial da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, lembrou que o país é hoje o maior parceiro comercial e uma importante fonte de investimentos para Minas Gerais. Em sua intervenção, apresentou quatro frentes para aprofundar a cooperação local: fortalecer os laços entre cidades-irmãs como base da aproximação entre os povos; usar a tecnologia como motor para construir cidades inteligentes e resilientes; conectar vocações complementares para consolidar polos logísticos regionais; e apostar na indústria cultural como caminho para expandir a economia criativa.

**Educação, ciência e vocação regional**

O painel institucional de abertura reuniu lideranças políticas, empresariais e educacionais de Juiz de Fora e de toda a região. Participaram a prefeita Margarida Salomão e o vice-prefeito Marcelo Detoni; o cônsul Jing Yanhui; o presidente da ACEJF, Aloísio Vasconcelos; o prefeito de Leopoldina, Pedro Junqueira; o prefeito de Viçosa, Ângelo Chequer; a prefeita de Barra do Piraí, Kátia Miki; a deputada federal Ana Pimentel; a reitora da UFJF, Girlene Alves da Silva; o reitor do IF Sudeste MG, Valdir José da Silva; e a vereadora Letícia Delgado, pela Câmara Municipal.

A deputada federal Ana Pimentel defendeu que a cooperação Brasil-China avance para além das commodities agrícolas e minerais, alcançando a inovação tecnológica, a produção de conhecimento e a formação de talentos — uma agenda para a qual Juiz de Fora e seu entorno reúnem condições privilegiadas, dada a densidade de instituições de ensino e pesquisa. Representantes da UFJF e do IF Sudeste MG apresentaram experiências em cooperação internacional, formação de quadros e transferência de resultados de pesquisa, manifestando interesse em ampliar o intercâmbio com a China.

Pelo setor empresarial, o presidente da ACEJF, Aloísio Vasconcelos, relatou impressões da missão à China realizada em 2025 e ressaltou a seriedade e o comprometimento que têm marcado a relação com empresas chinesas. Ao mencionar a reconstrução da cidade após as fortes chuvas de fevereiro, observou que a experiência chinesa de recuperação pode servir de inspiração para Juiz de Fora superar seus desafios.

**Três eixos temáticos e a presença de gigantes globais**

A programação organizou-se em torno de três eixos: "Comércio, investimento e novas conexões para o desenvolvimento"; "Educação, tecnologia, conectividade digital e plataformas de cooperação"; e "Economia criativa, audiovisual e cooperação cultural".

Os debates sobre infraestrutura, logística e integração produtiva reuniram representantes de companhias como COSCO Shipping, MRS Logística, Multiterminais, Anjun Express, U&M, PowerChina e do Sebrae, com foco em conectividade logística, ampliação de investimentos e fortalecimento das cadeias produtivas. O eixo de tecnologia, educação e inovação contou com a ZTE Corporation, o CLACTP, o BCI/CBCICT e o CRITT/UFJF, que apresentaram possibilidades de colaboração entre instituições dos dois países. Já o painel de cultura, audiovisual e economia criativa reuniu a Cultural Bridge, o curso de Cinema e Audiovisual da UFJF, o Grupo Otzi JF, o Moinho, o Polo Audiovisual JF e a Estação das Artes, destacando a cultura como instrumento de aproximação entre Brasil e China.

**De Yueyang ao interior: uma agenda em construção**

O Fórum de Juiz de Fora é um dos frutos da missão empresarial à China realizada em outubro de 2025, que aproximou o poder público e a iniciativa privada do mercado asiático. Como desdobramento desse trabalho, em novembro de 2025 foram firmados um termo de cooperação e o acordo de cidade-irmã entre Juiz de Fora e Yueyang, ampliando as possibilidades de intercâmbio econômico, tecnológico, educacional e cultural.

A edição mineira deu continuidade a uma iniciativa que teve sua primeira realização em março de 2026, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), e que vem se consolidando como uma plataforma permanente de articulação entre governos locais, empresas, universidades e instituições da sociedade civil dos dois países.

**Repercussão no Brasil e na China**

A realização do encontro teve ampla repercussão na imprensa. No Brasil, foi noticiada por veículos como Diário do Comércio, Folha JF, RCWTV, Novojornal, Primeiro a Saber e Jornal Panorama Minas, além de menções na agenda oficial da cidade e em colunas locais. Na China, o People's Daily Online (人民网), canal internacional do Diário do Povo, publicou matéria sobre o Fórum, destacando a chegada da cooperação sino-brasileira a cidades do interior do Brasil; a cobertura foi acompanhada pelo Nanmei Qiaobao (南美侨报网), voltado à comunidade chinesa na América do Sul. O Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro também registrou oficialmente o êxito do evento e a presença de mais de 300 participantes.

Com o Fórum, Juiz de Fora reafirma sua vocação como polo estratégico da economia criativa e da cooperação internacional no Brasil, contando com o IECBC como o braço facilitador para transformar o diálogo institucional em benefícios econômicos e sociais concretos. A expectativa é que as conexões estabelecidas no encontro se convertam, nos próximos meses, em novos negócios, investimentos e parcerias entre o interior fluminense-mineiro e a China.