A professora Li Jiashan foi uma das personalidades internacionais de maior destaque no Fórum Brasil–China Nova Era — Cooperação e Inovação, realizado na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. Com atuação relevante em diferentes momentos da programação, ela proferiu o discurso de abertura do encontro, participou do painel sobre cidades-irmãs e também integrou o painel Agenda Brasil–China, contribuindo com reflexões estratégicas sobre os rumos da cooperação bilateral entre os dois países em uma nova etapa marcada por inovação, articulação institucional e integração entre cultura, economia e serviços.
Sua presença no evento representou não apenas o fortalecimento do diálogo sino-brasileiro em alto nível, mas também a consolidação de pontes concretas entre instituições comprometidas com uma agenda de cooperação de longo prazo. Durante o Fórum, foi assinado o memorando de entendimento entre o Instituto de Comércio de Serviços da China da Beijing International Studies University (BISU), representado pela professora Li Jiashan, e o Instituto Economia Criativa Brasil–China (IECBC), representado por sua presidente, Claudia Jannuzzi. A assinatura do acordo marcou um dos momentos institucionais mais importantes do evento e simbolizou, de forma objetiva, o avanço de uma relação construída com base em diálogo, convergência de propósitos e confiança mútua.
**Discurso de abertura**
Em seu discurso de abertura, a professora Li Jiashan apresentou uma leitura ampla e estratégica sobre o atual estágio das relações entre China e Brasil. Segundo ela, a parceria entre os dois países já ultrapassou a lógica tradicional do intercâmbio comercial centrado em produtos e passa a se projetar para um novo ciclo, em que o comércio de serviços, a inovação, a cultura, a formação de talentos e a cooperação institucional assumem papel cada vez mais relevante. Em sua visão, China e Brasil, como duas grandes nações em desenvolvimento e importantes atores do Sul Global, possuem condições singulares para construir uma agenda comum voltada ao desenvolvimento sustentável, à integração produtiva e à modernização das relações internacionais a partir de perspectivas próprias e complementares.
Ao longo de sua fala, Li Jiashan destacou que o comércio de serviços tende a ocupar posição central nessa nova fase da cooperação bilateral. Para ela, trata-se de uma frente promissora justamente porque permite conectar áreas como tecnologia, finanças, turismo, cultura, logística, educação e serviços digitais, ampliando o alcance da parceria sino-brasileira para além do comércio tradicional de mercadorias. A professora observou que esse movimento acompanha uma transformação global, na qual o valor econômico passa a estar cada vez mais associado ao conhecimento, à criatividade, à circulação de dados, à inteligência aplicada e à capacidade de articulação entre setores.
**Complementaridade e novas rotas de cooperação**
Outro ponto importante de seu discurso foi a defesa de uma cooperação mais integrada entre cadeias econômicas, instituições e territórios. Ao tratar do potencial da relação entre China e Brasil, Li Jiashan chamou atenção para a complementaridade entre os dois países, tanto no campo produtivo quanto no campo do consumo e da cultura. Em sua análise, essa complementaridade cria oportunidades para o desenvolvimento de novas rotas de cooperação em segmentos como economia digital, serviços financeiros, plataformas tecnológicas, intercâmbios culturais, turismo e formação acadêmica. Mais do que ampliar negócios, segundo ela, essa aproximação pode gerar valor compartilhado e favorecer o surgimento de projetos concretos de médio e longo prazo.
**Transformação digital**
A professora também enfatizou a importância da transformação digital como um dos principais vetores da nova economia. Nesse contexto, apontou que a cooperação sino-brasileira pode avançar de forma significativa em áreas como comércio eletrônico, logística inteligente, serviços em nuvem, soluções digitais aplicadas à educação, agricultura inteligente, manufatura avançada e novas tecnologias voltadas à vida urbana e ao desenvolvimento regional. Em sua visão, a inovação tecnológica deve ser compreendida não apenas como ferramenta de competitividade, mas como instrumento de aproximação entre países, instituições e populações, desde que orientada por objetivos comuns e por benefícios concretos.
**Cooperação financeira**
No campo financeiro, Li Jiashan observou que o fortalecimento da cooperação em serviços depende também da construção de bases institucionais sólidas que assegurem previsibilidade, segurança e escala. Por essa razão, destacou a relevância da ampliação de mecanismos de pagamento, liquidação, financiamento e suporte às operações transfronteiriças, inclusive com maior uso de moedas locais e estímulo a práticas de finanças sustentáveis. Sua abordagem evidenciou que o futuro da cooperação entre China e Brasil não depende apenas de intenção política ou de boa vontade institucional, mas também de instrumentos práticos capazes de sustentar e viabilizar os fluxos econômicos e acadêmicos que se deseja expandir.
**Dimensão humana**
Em um tom que combinou visão estratégica e sensibilidade institucional, a professora Li Jiashan também valorizou a dimensão humana da relação bilateral. Destacou a atenção e o respeito que percebeu no Brasil em relação ao processo de desenvolvimento da China e afirmou que as relações sino-brasileiras possuem potencial para crescer a partir do aprendizado recíproco, do reconhecimento das diferenças e da construção de soluções em conjunto. Essa observação conferiu profundidade à sua participação, ao demonstrar que a cooperação entre os dois países não deve ser reduzida a indicadores econômicos, mas compreendida como um processo mais amplo de aproximação entre culturas, instituições, cidades, universidades e setores produtivos.
**Cidades-irmãs**
Sua participação no painel sobre cidades-irmãs dialogou diretamente com esse entendimento. Ao abordar o tema, Li Jiashan reforçou que os vínculos entre cidades não devem permanecer apenas no plano protocolar ou simbólico, mas precisam se converter em intercâmbios permanentes, ações concretas, troca de experiências e cooperação aplicada em áreas como governança, cultura, turismo, desenvolvimento ecológico, educação e inovação. Essa perspectiva contribuiu de forma importante para o debate promovido no Fórum, especialmente em um momento em que diversas cidades brasileiras vêm buscando ampliar sua presença internacional e construir pontes mais estruturadas com parceiros chineses.
**Agenda Brasil–China**
No painel Agenda Brasil–China, a professora aprofundou sua visão sobre os caminhos que podem orientar a cooperação nos próximos anos. Entre os eixos com maior potencial, mencionou os serviços digitais, os serviços financeiros, os serviços culturais e criativos, os esportes, o entretenimento e o turismo. Para Li Jiashan, essas áreas formam uma base promissora para a construção de um modelo exemplar de cooperação entre países em desenvolvimento, especialmente quando combinadas com intercâmbio acadêmico, pesquisa aplicada, circulação de talentos e articulação institucional.
**Memorando de entendimento BISU–IECBC**
A assinatura do memorando de entendimento com o IECBC deu forma institucional a muitos dos princípios defendidos pela professora durante o evento. Conforme consta no texto do acordo, o instrumento foi celebrado entre a parte chinesa, representada pelo Instituto de Comércio de Serviços da China da Beijing International Studies University (BISU), e a parte brasileira, representada pelo Instituto Economia Criativa Brasil–China (IECBC), com base no interesse comum em promover pesquisas acadêmicas e cooperação institucional. O objetivo do acordo é fortalecer o intercâmbio acadêmico, promover a cooperação em pesquisa e criar novas oportunidades de desenvolvimento conjunto entre as duas instituições.
O documento destaca a trajetória da Beijing International Studies University no campo do comércio de serviços e do comércio cultural, ressaltando que, desde 2003, a instituição vem desenvolvendo pesquisas teóricas e práticas nessas áreas e consolidando um complexo acadêmico voltado à diplomacia acadêmica, à formulação de políticas públicas, à inovação em modelos de formação de talentos e ao desenvolvimento das indústrias culturais e do comércio de serviços.
Da mesma forma, o memorando reconhece o papel do Instituto Economia Criativa Brasil–China como think tank e plataforma de intercâmbio dedicada a promover a cooperação entre Brasil e China nos campos da inovação e da economia criativa. Fundado no Rio de Janeiro em 14 de dezembro de 2023, o IECBC tem como objetivo reunir esforços de governos, empresas e instituições acadêmicas para estimular cooperação prática e diálogo qualificado entre os dois países.
**Legado e perspectivas**
Mais do que um ato protocolar, a formalização desse memorando durante o Fórum Brasil–China Nova Era evidencia a capacidade do IECBC de atuar como articulador relevante na construção de pontes internacionais de alta qualidade. A participação da professora Li Jiashan reforçou precisamente esse horizonte. Seu discurso trouxe densidade conceitual, sua presença conferiu prestígio internacional à programação e a assinatura do acordo com o IECBC deixou como legado um instrumento concreto para futuras ações de intercâmbio, pesquisa, desenvolvimento de talentos, promoção de eventos e aprofundamento da cooperação acadêmica e institucional entre Brasil e China.
Para o IECBC, esse momento representa um marco importante em sua trajetória. Ao lado de sua presidente, Claudia Jannuzzi, o Instituto amplia sua rede de interlocução internacional e fortalece sua vocação para atuar como plataforma de integração entre conhecimento, cultura, inovação e desenvolvimento. A parceria firmada com a instituição presidida pela professora Li Jiashan abre novas perspectivas para a construção de agendas conjuntas e reafirma o compromisso do IECBC com uma cooperação Brasil–China sólida, qualificada e voltada à produção de resultados concretos.
A presença da professora Li Jiashan no Fórum Brasil–China Nova Era e a celebração do memorando de entendimento com o IECBC deixam registrada uma mensagem clara: o futuro da relação entre Brasil e China passa, cada vez mais, pela articulação entre instituições, pelo fortalecimento do intercâmbio acadêmico, pela integração entre cultura e economia e pela capacidade de transformar diálogo em cooperação efetiva.




